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 A Ilha || Capítulo 07

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AutorMensagem
FelipeReino

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Idade : 26
Cidade : Vitória

MensagemAssunto: A Ilha || Capítulo 07   10.01.15 9:22

Entramos no rio sem muitos rodeios. Se era para atravessa-lo, que fosse de uma vez. Mas para a minha surpresa o rio não era de sangue como imaginei. Enquanto nadava em direção ao outro lado, notei que a água era transparente – como toda água deve ser. E foi justamente isso que me assustou. A cor avermelhada vinha do fundo do rio. Era como se tivessem nadando em uma piscina de piso vermelho.
– Você também reparou? – Richard perguntou.
– Sim! – respondi ainda apática.
– O que acha que são essas coisas grudadas no fundo? – Richard diminuiu o ritmo.
– Não tenho certeza se quero saber. – tentava não olhar.
– Eu também acho que não estou interessado em saber.
Para a nossa sorte a correnteza do rio não era forte. Caso contrario iríamos se puxados para sabe-se lá onde. Tanto no meu lado direito quanto o esquerdo não era possível ver o fim ou começo do rio. A única coisa que poderíamos fazer mesmo era seguir em frente.
Estávamos quase chegando ao outro lado do rio quando senti algo grudar em minha perna. Me assustei e tentei ver o que havia prendido em mim, mas não consegui enxergar direito. Tentei me soltar, mas parecia que quanto mais eu puxava, mais presa minha perna ficava.
– Susi, você está bem? – Richard voltou para me ajudar.
– Eu prendi o meu pé em alguma coisa e não consigo me soltar. – estava desesperada.
– Vou resolver isso agora!
Imediatamente Richard mergulhou e começou a tentar desprender meu pé. Mas ele não obteve sucesso.
– Parece uma alga vermelha! – o rosto de Richard estava muito pálido – Não consegui entender. Ela está grudada em você como se fosse um tentáculo de polvo.
– Mas que porcaria é essa? – me apavorei – Richard faz alguma coisa!
– Vou tentar desgruda-la de sua perna de novo. – Richard tentou mais uma vez, mas não conseguiu.
De repente senti uma dor muito forte no tornozelo. Era como se tivesse sido espetada com uma faca. Foi totalmente impossível não soltar um grito.
– O que foi? – Richard estava apavorado.
– Acho que essa coisa me mordeu! – quase não conseguia falar.
– Como assim te mordeu? – Richard começou a gritar.
– Mordendo! – estávamos fora de controle – Senti minha perna sendo espetada, mordida, furada, sei lá. Só sei que está doendo muito.
– Que merda! – Richard mergulhou novamente.
Senti Richard tentando puxar a coisa, mas era inútil. Ele subiu para tomar um ar e tentou novamente. Estava começando a me sentir fraca. Mais uma vez Richard subiu para tomar ar e desceu. Desta vez não o senti puxar, mas parecia balançar a coisa. E ele estava demorando mais que o normal. Não sei se era a minha visão que estava turva, mas não consegui enxergar o Richard direito. Estava prestes a ter um ataque quando senti minha perna livre novamente. Richard voltou quase sem fôlego e me puxou para a margem. Notei que ainda estava com parte da coisa grudada em mim.
– O que você fez? – perguntei.
– Eu tinha isso aqui guardado! – Richard me mostrou um canivete – Deu um pouco de trabalho, mas consegui. A coisa estava sugando seu sangue.
– Que horror! – quase desmaiei.
– Não sei o que era aquilo, mas sei que nunca vi nada parecido com isso antes. – Richard ainda estava com a respiração descontrolada – E olha que eu já vi muito bicho estranho.
Richard me ajudou a retirar a parte da coisa que ainda estava grudada em mim. Fiquei apavorada. A coisa fez um estrago no meu tornozelo. A parte em que ela estava fincada apodreceu. Uma bola preta do tamanho da minha mão ficou gravada no lugar, assim que Richard retirou por completo o que seria o dente da coisa.
– Está doendo muito? – Richard perguntou.
– Sim, mas já estou melhor. – dizia a verdade – Quando se vive em uma selva a gente se acostuma com a dor.
– Acho que não dá para deixar isso aí deste jeito! – Richard não parava de olhar para a bola preta – Não temos absolutamente nada aqui para tratar disso, então acho que só tem uma coisa a fazer.
Richard retirou a sua camisa e amarrou na parte ferida. Apesar de toda a situação que estávamos vivendo, não pude deixar de reparar em seus dotes físicos. Não estava muito a vontade com isso.
– Você poderia fechar essa jaqueta! – disse tentando ser mais educada possível.
– Sério? – ele deu um leve sorriso.
– Richard! – fiquei séria – Vamos seguir em frente!
Tentei me levanta, mas acabei não conseguindo. A dor que sentia era como se a coisa ainda estivesse agarrada no lugar. Teria caído com tudo se Richard não tivesse me segurado – ainda de jaqueta aberta.
– Quer que eu te carregue no colo? – ele perguntou quase inocente.
– Está para nascer o homem que vai me carregar no colo! – tentei ficar de pé mais uma vez. Acabei conseguindo – Fique certo disso!
– Está bem! – ele levantou as duas mãos – Você é quem sabe.
– E feche logo essa jaqueta. Não temos tempo para ficar perdendo desta forma.
Ele fechou a jaqueta como pedi. Minha perna inteira doía bastante. E minha pressa em querer seguir adiante não ajudou muito. Acabei caindo novamente. E mais uma vez o Richard me segurou.
– Bem a tempo! – ele sorriu.
– Obrigada! – tentei não ser grossa. Não era culpa minha, não conseguia evitar ser dura com as pessoas que... me intimidam.
– Acho melhor pararmos por aqui! – Richard me ajudou a sentar – Pelo menos por alguns minutos.
– Mas e a Lila? – tentei levantar, mas fui impedida.
– Também estou pensando nisso. – ele suspirou – Mas também não dá para você ficar caminhando deste jeito. Demoraríamos muito mais assim.
– Está certo. – desisti – Me responde uma coisa?
– Sim. – Richard se sentou ao meu lado.
– Que história é essa de você já ter visto muito bicho veio? – fiquei curiosa.
– Bem... – ele suspirou – Eu sou biólogo. Biólogo marinho.
– Mentira! – fiquei muito surpresa – Com toda essa pinta de militar! Jurava que fosse do exercito. Ou aeronáutica, já que estava pilotando.
– Muitas coisas me aconteceram. – Richard falou quase que pra si mesmo.
– Tem a ver com aquelas histórias que você não quer contar? – perguntei – Desculpa está tocando neste assunto, mas e que eu ainda não me...
– Eu sei! – Richard me interrompeu – Você não se conforma com o fato de eu te esconder isso. Eu já sei disso. Eu vou contar, pode deixar, mas não agora. Vamos encontrar a Lila e depois a gente conversa sobre isso.
– Tudo bem. – concordei, apesar de ainda achar que algo não estava certo. E isso ficou ainda mais claro quando me lembrei do que ele havia me dito quando viu a pegada da onça pela primeira vez:
– Eu não sou especialista em mundo animal...
Como um biólogo não pode ser especialista em mundo animal? Essa história já estava seguindo muito estranha. E ela nem tinha começado ainda. Por um instante eu senti medo do Richard. Sempre achei que pessoas misteriosas deste jeito só existissem nos livros e no cinema. Nunca pensei que um dia conviveria com uma. E o pior de tudo é que a cada minuto eu me convencia mais e mais que estava me apaixonando por essa pessoa misteriosa.
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João Santos
Prata
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Idade : 22
Cidade : Taguaí

MensagemAssunto: Re: A Ilha || Capítulo 07   10.01.15 10:04

comecei a acompanhar a web faz pouco tempo... gostei mto
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A Ilha || Capítulo 07
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