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 Ricos & Pobres || Capítulo 01

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AutorMensagem
Gustavo Lopes

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Idade : 22
Cidade : Goiânia

MensagemAssunto: Ricos & Pobres || Capítulo 01   09.10.13 19:29

            


Sábado à tarde. Dia lindo, com céu limpo e ensolarado, perfeito para a inauguração de um shopping. E é isso que está acontecendo: a inauguração da expansão do Elite Shopping. O Elite Shopping é o maior império de compras da América Latina e símbolo da sólida gestão financeira da família Borges. Estão no palco principal, na fachada do shopping, o presidente do Grupo Borges, Henrique, seu irmão e vice-presidente Pedro e os demais membros da diretoria do shopping.
            — Boa tarde a todos — começa o discurso Henrique —, é com muita honra que eu e toda a equipe do Grupo Borges e do Elite Shopping anunciamos que atingimos a marca de maior shopping da América Latina!
            Aplausos e mais aplausos.
            — Atingimos uma ótima estabilidade financeira e vamos expandir ainda mais — continua ele — com a ampliação da estrutura do nosso principal empreendimento: o Elite Shopping. Sem mais delongas, vamos à cerimônia de abertura pra vocês matarem a curiosidade.
            — Não, não, não! Eu quero falar algumas palavras — interrompeu Pedro, mordido pela inveja, já que ele não havia preparado nenhum discurso.
            — Pedro, você quer realmente falar? Já não acha que demoramos demais?
— E só você pode falar? Você coordena isso tudo sozinho? Não. Eu quero falar sim. Sociedade de São Paulo, boa tarde. — o povo fica com cara de “Ih!, vai demorar…— Desde que papai… bem… desde que papai se foi — se esforça para chorar — o Grupo Borges trabalha duro para tentar chegar aos pés da gestão dele. Graças do esforço não só da presidência, mas da vice-presidência e demais departamentos, estamos conseguindo dar prosseguimento à obra de nossa família…
Pedro olha ao redor e percebe que ninguém está prestando atenção ao seu tão “rebuscado” e ético discurso. Henrique toma uma atitude, já que se vê que algumas pessoas estão indo embora.
— Bem, sendo assim — diz Henrique —, vamos lá. Que desçam as cortinas e mostre o novo Elite Shopping!
As cortinas desceram e mostraram realmente um imponente shopping. A fachada adquiriu uma arquitetura de tirar o fôlego, um estilo que combina ares europeus e futurísticos juntos para a harmonia do lugar. Dentro, na expansão, o shopping ganhou mais 250 lojas, atingindo o número impressionante de 950 lojas no total. O chão, de granito verde escuro, estava tão limpo que se quiséssemos pentear o cabelo nele seria perfeitamente possível.
Um coquetel estava acontecendo e esta festa, claro, era para convidados muito selecionados. Somente membros da alta sociedade estavam presentes. As mulheres de altos executivos estavam em histeria. Novas marcas que antes só existiam na Europa ou Estados Unidos abriram filiais no Brasil e seu único local até agora era o Elite Shopping. Com certeza as tardes dessas distintas senhoras ficarão bem mais agradáveis e o tédio não as assolará por um bom tempo.
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Tempo vai, tempo vem, e agora estamos à noite. Sábado à noite é hora de quê? De balada, é claro! E o grupo de riquinhos filhos dos diretores do Elite Shopping estão saindo pra curtir a noite. Débora, Rodrigo, Roberta, Pablo e Priscilla estão acompanhados do “pseudorrico” Ricardo, irmão de Miguel. Ele se acha da turma, mas é só mais um pé rapado da Vila Apneia.
— Vamo bora, galera — convida Pablo. — Eu tive uma grande ideia.
— Ih, já vi que vai ser confusão. — diz Débora.
— E vocês já viram alguma vez eu botar vocês em confusão? — Indagou Pablo, rindo é claro.
Todos eles caem naquele riso fácil provocado pelo álcool excessivo consumido.
A “grande ideia” de Pablo é apostar uma corrida pelas ruas de São Paulo. Como estava de madrugada, as ruas estavam vazias e era um prato cheio para o racha. Débora, Priscilla e Rodrigo estavam em um carro e Roberta, Pablo e Ricardo estavam em outro. Alternavam-se na “liderança” da corrida. Estavam realmente em altíssima velocidade.
— Muito doido, meu irmão — disse Roberta. — Não sei como a gente não teve essa ideia antes.
— É verdade, a adrenalina sobe e é uma loucura — completou Ricardo.
Como agora em todo lugar tem sempre uma pessoa para ver as coisas, uma senhora que estava passando pela rua viu o absurdo que os jovens estavam aprontando e chamou a polícia.
Pouco tempo depois estavam sendo perseguidos pela polícia em uma cena digna de cinema. A viatura da polícia era menos potente que os carros dos baderneiros mas estava quase dando conta do recado. Rodrigo e Ricardo estavam conduzindo os veículos e tentavam de toda maneira se desviar das investidas da polícia.
— Parem o carro agora! — ordenou um policial com um megafone.
— Quero ver é vocês pegarem a gente! — Gritou Débora e em seguida mostrou o dedo do meio para o policial.
— Pegar aqueles moleques agora é questão de honra pra mim. — Comentou o policial para o colega.
Enquanto ele fez esse comentário, o outro policial, que estava dirigindo a viatura, desviou a atenção, e nesse exato momento os perseguidos conseguiram entrar em um beco e se safar dos policiais, que passaram reto em disparada.
Alguns minutos depois, Ricardo, já relaxado, diz:
— Acho que já podemos ir, né?
— Eu acho melhor esperarmos mais um pouco. — diz Roberta.
— Esperar pra quê? Quero ir embora pra casa. Tô exausto, cara!
— Quer tomar banhinho, é? Pois vai tomar no xilindró. Cana nesses dois! — O policial desdenha após voltar e achar os delinquentes.
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De manhã, Miguel se arruma e vai para a faculdade. Ele cursa Direito na Faculdade Gomes Almeida, a melhor de São Paulo, e a mais cara também. Ele tem uma meia bolsa que conseguiu do governo. A outra metade é paga com muito suor por ele e sua mãe Álvara.
Chegando à sala, senta-se na primeira cadeira. É aula de Filosofia. Quem dá essa matéria na faculdade é Bruno, filho de Ulysses, dono da instituição. Apesar de podre de rico, tem verdadeira abominação desse negócio de ficar se achando isso ou aquilo. Não vive às custas do pai. Diferentemente de seu irmão, Fernando, que só quer saber de vida boa.
Alice entra na sala e vê que todos os lugares estão ocupados. Só tem um ao lado de Miguel. Bufando e vendo que não tem outra opção, senta-se ao lado dele.
— Bom dia não mata ninguém. — começa provocando Miguel.
— Oi? Eu acho que não ouvi, você está se dirigindo a mim? — Finge de desentendida Alice.
— Eu acho que você não me viu.
— Querido, você nem devia estar aqui.
— Como é?
— É isso mesmo. O nível dessa faculdade já foi melhor, viu?
— Você está se ouvindo?
— Cala a boca, ô cota.
— Me chamou de quê?

— De cota. Você só está aqui porque o governo insiste em gastar dinheiro com gentinha como você.

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